Nesse mesmo dia, 26 de dezembro, depois de uma parada necessária
em frente ao Sena, continuamos a flanar no coração da cidade. Tenho que confessar
- nesta região a minha alma se encheu de acolhimento - mais tarde descobri a
razão de meu sentimento, a ilha tem o formato de um berço, que nos acolhe ao nascer,
então pude nascer neste berço esplêndido às margens do rio Sena, feito a cidade
que a 2.000 anos atrás nascera com outro nome, Lutécia dos Parisiis, mas com a mesma magia de sempre.

Na ilha as ruas são estreitas, e conforme íamos avançando,
elas foram dando lugar a outras ruas mais largas e assim pudemos atravessar a
Ponte Marie que nos transporta para fora da ilê de Saint Louis, atravessa-la é
como se fizéssemos uma viagem no tempo, Paris é assim, somos viajantes na
história da cidade e da humanidade, uma cidade que a cada esquina tem seu marco
na história. Atravessamos do período medieval para a renascença, não muito longe avistamos
o lindo Hotel de Ville, a câmara municipal, um edifício de arquitetura
renascentista, porém foi algumas vezes reformada mantendo o seu estilo até hoje,
a sua história começa no século XIV, um certo superintendente dos mercadores,
chamado Étienne Marcel comprou a “Maison des Piliers”(Casa dos Pilares) em
nome do município. Na frente do Hotel de Ville tem
a Place de l’Hotel de Ville onde foi montada um ringue de patinação com crianças
de todas as idades e também um carrossel para as crianças menores. A prefeitura
em razão das festividades de fim de ano espalha muitos carrosséis, se tornando
uma cidade mais festiva ainda, estava no ar da cidade o clima de festa, tanto para
os visitantes quantos os moradores, podia se ver nos seus olhos o brilho, reflexo da luz da cidade.

O dia estava ótimo para flanar, então cruzamos a
Rue Rivoli, deixando-a para trás, em outra ocasião ela será absorvida pelo
coração, então seguimos pela Rue du Renard e viramos em outra rua que dava de
frente a uma obra de arte que não esperávamos ver, ela arrombou a nossa retina com
seu colorido e com as aguas da fonte fazendo uma coreografia em comum,
estávamos na Place Igor Stravinsky, praça em homenagem ao compositor russo, as
fontes foram organizadas em 1982 e recebeu dezesseis esculturas criadas por
Jean Tinguely e Niki de Saint Phalle.
Continuando pela praça saímos na frente do
Centre Pompidou, um dos principais centros culturais da cidade de Paris, com
uma praça que é comum ver apresentações de grupos mambembes, um museu de arte
moderna, que deixarei para narrar em outra ocasião e na frente uma biblioteca
de cair o queixo que tivemos o privilégio de conhecer, de uma maneira bem
parisiense, ou seja, bem casual, mas será narrado também em outra ocasião.
Então veio a fome,
nossos relógios biológicos nos avisa que era hora de repor as energias, a
cidade é repleta de cafés, bolangeries - padarias, bistrôs, restaurantes, mas
resolvemos entrar no espírito da cidade, comprar algo no mercado e comer na
praça, tenho que dizer que é uma delícia este hábito cultivado pelos seus
moradores.
O dia era mesmo para flanar então continuamos perambulando pelas ruas.

Pegamos a Rue Rombuteau e seguimos para uma nova surpresa para o coração,
vimos de um lado a igreja Saint Eustache e do outro o Les Halles. Paramos primeiro
na frente da igreja Saint Eustache, ela é considerada uma obra-prima da
arquitetura gótica tardia, tem uma escultura que é uma cabeça e uma mão, a
escultura se chama “A escuta” por Henry Miller, depois de um tempo de
contemplação atravessamos a rua e fomos para o Forum les Halles. No passado era
um mercado municipal que foi demolido em 1971, atualmente é uma grande área
comercial com lojas no subterrâneo em estilo moderno, e o que mais me chamou a
atenção foi um jardim submerso com esculturas, mosaicos e fontes. Abaixo do
Forum des Halles encontra-se a maior estação de metrô do mundo, a estação
Chatelet-Les Halles que liga também com a rede de trem do sistema RER (rede
expressa regional).
Flanar e flanar, de tanto flanar
os pés pareciam inflamados, mas o coração estava no comando, então seguimos
pela Rue Rivoli, passando pelas lojas até o Louvre, atravessemos a entrada do
museu e seguimos em frente, entrando no Jardin des Tuileries (Os jardins das
Tulherias), um parque situado na margem direita do rio Sena, entre a praça da
concórdia e o Carroussel. Este pelo jardim foi criado no século XVI por ordem
da Catarina de Médicis para decorar o seu palácio, onde ela passava o seu tempo
livre. Do parque pode se ter uma esplêndida visão dos Champs-Élysées, do Arco
do Triunfo e do Grande Arco de La Défense.
Não queríamos terminar a nossa caminhada sem
antes atravessar para o outro lado do Sena, a margem esquerda, então escolhemos
a ponte Alexandre III, uma ponte no estilo art-nouveau, decorada por querubins,
ninfas e cavalos alados na extremidade. A sua construção começou em 1896 e sua
inauguração foi em 1900 para exposição universal.
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| Ponte Alexandre III |
Estava anoitecendo e tínhamos que deixar o
coração da cidade, o Sol ia se pondo, já era hora de ir embora sob as primeiras
luzes de Paris.
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