terça-feira, 27 de dezembro de 2011

No coração da cidade





Nesse mesmo dia, 26 de dezembro, depois de uma parada necessária em frente ao Sena, continuamos a flanar no coração da cidade. Tenho que confessar - nesta região a minha alma se encheu de acolhimento - mais tarde descobri a razão de meu sentimento, a ilha tem o formato de um berço, que nos acolhe ao nascer, então pude nascer neste berço esplêndido às margens do rio Sena, feito a cidade que a 2.000 anos atrás nascera com outro nome, Lutécia dos Parisiis, mas com a mesma magia de sempre.





Na ilha as ruas são estreitas, e conforme íamos avançando, elas foram dando lugar a outras ruas mais largas e assim pudemos atravessar a Ponte Marie que nos transporta para fora da ilê de Saint Louis, atravessa-la é como se fizéssemos uma viagem no tempo, Paris é assim, somos viajantes na história da cidade e da humanidade, uma cidade que a cada esquina tem seu marco na história. Atravessamos do período medieval para a renascença, não muito longe avistamos o lindo Hotel de Ville, a câmara municipal, um edifício de arquitetura renascentista, porém foi algumas vezes reformada mantendo o seu estilo até hoje, a sua história começa no século XIV, um certo superintendente dos mercadores, chamado Étienne Marcel comprou a “Maison des Piliers”(Casa dos Pilares) em nome do município. Na frente do Hotel de Ville tem a Place de l’Hotel de Ville onde foi montada um ringue de patinação com crianças de todas as idades e também um carrossel para as crianças menores. A prefeitura em razão das festividades de fim de ano espalha muitos carrosséis, se tornando uma cidade mais festiva ainda, estava no ar da cidade o clima de festa, tanto para os visitantes quantos os moradores, podia se ver nos seus olhos o brilho, reflexo da luz da cidade.
O dia estava ótimo para flanar, então cruzamos a Rue Rivoli, deixando-a para trás, em outra ocasião ela será absorvida pelo coração, então seguimos pela Rue du Renard e viramos em outra rua que dava de frente a uma obra de arte que não esperávamos ver, ela arrombou a nossa retina com seu colorido e com as aguas da fonte fazendo uma coreografia em comum, estávamos na Place Igor Stravinsky, praça em homenagem ao compositor russo, as fontes foram organizadas em 1982 e recebeu dezesseis esculturas criadas por Jean Tinguely e Niki de Saint Phalle.
Continuando pela praça saímos na frente do Centre Pompidou, um dos principais centros culturais da cidade de Paris, com uma praça que é comum ver apresentações de grupos mambembes, um museu de arte moderna, que deixarei para narrar em outra ocasião e na frente uma biblioteca de cair o queixo que tivemos o privilégio de conhecer, de uma maneira bem parisiense, ou seja, bem casual, mas será narrado também em outra ocasião.
Então veio a fome, nossos relógios biológicos nos avisa que era hora de repor as energias, a cidade é repleta de cafés, bolangeries - padarias, bistrôs, restaurantes, mas resolvemos entrar no espírito da cidade, comprar algo no mercado e comer na praça, tenho que dizer que é uma delícia este hábito cultivado pelos seus moradores.
 
O dia era mesmo para flanar então continuamos perambulando pelas ruas.













Pegamos a Rue Rombuteau e seguimos para uma nova surpresa para o coração, vimos de um lado a igreja Saint Eustache e do outro o Les Halles. Paramos primeiro na frente da igreja Saint Eustache, ela é considerada uma obra-prima da arquitetura gótica tardia, tem uma escultura que é uma cabeça e uma mão, a escultura se chama “A escuta” por Henry Miller, depois de um tempo de contemplação atravessamos a rua e fomos para o Forum les Halles. No passado era um mercado municipal que foi demolido em 1971, atualmente é uma grande área comercial com lojas no subterrâneo em estilo moderno, e o que mais me chamou a atenção foi um jardim submerso com esculturas, mosaicos e fontes. Abaixo do Forum des Halles encontra-se a maior estação de metrô do mundo, a estação Chatelet-Les Halles que liga também com a rede de trem do sistema RER (rede expressa regional).

Flanar e flanar, de tanto flanar os pés pareciam inflamados, mas o coração estava no comando, então seguimos pela Rue Rivoli, passando pelas lojas até o Louvre, atravessemos a entrada do museu e seguimos em frente, entrando no Jardin des Tuileries (Os jardins das Tulherias), um parque situado na margem direita do rio Sena, entre a praça da concórdia e o Carroussel. Este pelo jardim foi criado no século XVI por ordem da Catarina de Médicis para decorar o seu palácio, onde ela passava o seu tempo livre. Do parque pode se ter uma esplêndida visão dos Champs-Élysées, do Arco do Triunfo e do Grande Arco de La Défense.




Não queríamos terminar a nossa caminhada sem antes atravessar para o outro lado do Sena, a margem esquerda, então escolhemos a ponte Alexandre III, uma ponte no estilo art-nouveau, decorada por querubins, ninfas e cavalos alados na extremidade. A sua construção começou em 1896 e sua inauguração foi em 1900 para exposição universal.

Ponte Alexandre III
Estava anoitecendo e tínhamos que deixar o coração da cidade, o Sol ia se pondo, já era hora de ir embora sob as primeiras luzes de Paris.










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