quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Na linha do tempo

O dia amanheceu nublado e um pouco mais frio, mas não o frio que estávamos esperando, nada de neve até então, esta ausência de frio rigoroso tinha uma vantagem, flanar pela cidade, porém não tínhamos a oportunidade de ver a Cidade Luz toda branca de neve.

Estes dias na cidade de Paris, constatei, ela não é apenas uma cidade, é o mundo todo, uma torre de babel moderna, o metrô é a maneira mais fácil de conhecer este mundo, com ele – o metrô, somos transportados para todo canto da cidade e cada estação tem o seu momento na história.

Neste dia visitamos dois lugares em especial, com suas características próprias, um totalmente ao avesso do outro, um salto no tempo - detalhe esta linha que usamos, a linha 1, foi a  primeira linha inaugurada, porém as duas estações que conhecemos, uma em cada ponta da cidade, não existia na inauguração que foi no 19 de julho de 1900, construída para a exposição universal de tecnologia que acontecia na cidade de Paris.

A vida é feita de saltos, cada vez mais profundo e neste dia foi mais profundo ainda dos outros que demos até agora, como se estivéssemos em uma máquina do tempo, primeiro para o passado, um lugar que conserva uma Paris da idade média, para depois avançar para um mundo ultramoderno.

Munidos como sempre do “navigo” e do mapa do metro, fomos para a idade média, tendo uma parada obrigatória, a estação Nation onde sempre fazíamos as nossas transferências.

Descemos na estação Nation que já estava se transformando em um lugar comum para nós, nossa principal encruzilhada, e no pouco 
espaço de tempo que estávamos na cidade, ou embaixo dela, íamos ficando mais e mais familiarizados com seus moradores subterrâneos. Desta familiaridade me veio uma impressão forte, como se o tempo quisesse parar naquele instante, nos chamando a atenção para os sons que deixávamos escapar, percebia-se que estes sons vinham de nossos sapatos contra o chão subindo aos nossos ouvidos, outros sons vindos de outros passos se fundiam aos nossos em um ritmo típico dos parisienses, como resultado de passos e passos do dia-a-dia o piso ia sendo marcado por infinitas pisadas de inúmeros sapatos, notava-se uma sinfonia caótica que se juntava aos outros sons diferentes, canalizados por intermináveis túneis e conforme íamos andando para a linha que nos levaria ao nosso destino, escutávamos de longe um berro solitário, que vinha de uma feira de uma só pessoa, de um certo vendedor de frutas, sujeito simpático que nos dava um aceno todas as vezes que passávamos por ele, podia-se notar um jeito indiano nele, seu idioma parecia um misto de francês com um dialeto indiano desconhecido, resultando em um terceiro idioma que surgia de sua boca, as suas palavras eram quase intraduzíveis, mas o que ele queria dizer sim, que sempre tinha frutas diferentes na sua banquinha. Inesquecível também era um senhor que tinha aparência de um mestre chinês,  ele tocava um instrumento parecido com um violino comprido, talvez um parente oriental do nosso violino, magicamente ele vertia as notas em um som doce e melancólico que fazia as pessoas desacelerassem o ritmo dos passos, apurando a audição para depois desfrutar da encantadora melodia que vinha do exótico instrumento, sempre tinham pessoas que paravam e depositavam algumas moedas na capa, que além de guardar o instrumento, era um bom coletor de moedas. Fiquei impressionado com o talento do senhor que tocava o estranho instrumento.  

Atravessamos este oceano de pessoas e sons, nos dirigindo para o Château de Vincennes, que se localiza fora do perímetro dos vintes distritos de Paris, nós estávamos perto dele e poderíamos muito bem ir a pé, porém ir de metrô é sempre mais interessante, por tudo que acabei de escrever no paragrafo acima e muito mais.

O Château de Vincennes fica em um lugar muito agradável com ruas tranquilas, fica perto da estação de metrô do mesmo nome.

O "Château" é um castelo fortificado que a tempos atrás foi morada da corte real francesa, foi erguido entre o século XIV e o século XVII, antes de ser um castelo era um pavilhão de caça erguido por Louis VII no ano de 1150 na floresta de Vincennes. Luis IX e Filipe II edificaram ainda mais a mansão. Luis IX partiu do castelo para uma cruzada e não regressaria mais. Na idade média foi uma fortaleza militar. Filipe III (1274) e Filipe IV (1322) casaram-se ambos no castelo e três monarcas do século XIV nasceram no Château - Luis X (1316), Filipe V (1322) e Carlos IV (1328).
Também guardou provisoriamente as relíquias da Coroa de Espinhos enquanto a Saint-Chapelle de Paris era preparada para recebê-las. Uma nova capela foi edificada dentro da cerca do castelo para receber um fragmento da relíquia que ainda se encontra até hoje.

Hoje no Château de Vincennes fica dois ministérios, o da Cultura e o da Defesa, em 1988 teve um programa de renovação. 

Fiquei muito feliz em conhecer este pedaço da história que nos transportados a tempos quase esquecidos, pode ser sentindo as vibrações que ficaram registrados em suas paredes, elas tem ouvidos e depois contam aos seus visitantes que tem ouvidos para escutar os seu segredos. 

Ao lado do Château de Vincennes tem o bosque que é o Bois de Vincennes, que por conta do frio e do tempo, não foi possível visitar, mas fomos visitar o Parque Floral que fica encostado ao castelo, tinha que atravessar a rua, simples assim, caia naquele momento uma garôa que aos poucos se encorpava nos fez visitar o lindo parque um tanto com pressa, e o vento também castigava, imaginei que na primavera e verão deveria ser um lugar mais encantador ainda, com flores e pessoas passeando, fico me imaginando em uma bike, pedalando em suas alamedas. Lindo demais, ainda mais que quando avistamos alguns pavões.



 Próximo destino do dia - La Défense.

Entramos no metrô, ou na máquina do tempo que nos levaria do passado para um mundo moderno que tem como nome “La Défense”, ou A Defesa. As inúmeras estações que ficavam no caminho nos despertava para a história da França e da humanidade, tais como a queda da bastilha, que é estação “Bastille” com todo seu peso na revolução francesa, passando pela estação “Palais Royal-Musée du Louvre” ou “Rivoli-Louvre”que era uma antiga fortificação, depois virou um castelo para finalmente se tornar o famoso museu Louvre, um dos mais conhecidos e maiores museus do mundo, seguindo em frente, o metrô passa pela estação “Concorde”, onde muitos perderam a cabeça durante o terror, passando pela “Champs-Élysée”, onde é o ponto de encontro das pessoas para as comemorações nacionais, tais como o final da segunda grande guerra e a conquista da “Copa do Mundo de Futebol” em 1998 em cima da seleção brasileira, indo para o Arco do Triunfo, construído por Napoleão para findar na estação moderna de tempos modernos da França empresarial e financeira que é a “La Défense”, onde encontra o “Grande Arco”, um arco do triunfo moderno que é imenso que cabe a catedral de Notre-Dame dentro dela.

 
La Défense fugiu das características tradicionais da cidade, que tempos atrás foi motivo de muitos protestos, pois acreditavam que iria deixar a cidade feia, os parisienses sempre tem esta reação, rejeitam e depois aceitam, tiveram em sua história muitas rejeições para depois caírem na graça de seus moradores, um exemplo é a Torre Eiffel que até cogitaram em desmantela-la depois do término da exposição na qual ela foi apresentada. Acabei entendendo estas rejeições, uma cidade bela precisa de todo zelo e o medo de riscar esta beleza é o medo de riscar também a beleza que está na alma dos seus moradores.

O nome vem do monumento La Défense de Paris criado para homenagear os soldados que defenderam a cidade durante a guerra franco-prussiana em 1870. 

Umas das coisas que avistamos é um grande polegar - Le Pouce de 1965 do escultor francês e foi instalada em 1994.

Andar por esta região que também está fora do perímetro dos vintes distritos da cidade, é visitar monumentos modernos, e ainda visitar as boutiques les 4 Temps, uma espécie de Shopping Center, antes passar pela Decatlon francesa para comprar roupas de frio, e aproveitar o bom preço.

A noite estava chegando e o cansaço estava vindo também, os pés doíam de visitar tantas novidades que iluminam o coração na Luz de Paris.



Nenhum comentário:

Postar um comentário