quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Na linha do tempo

O dia amanheceu nublado e um pouco mais frio, mas não o frio que estávamos esperando, nada de neve até então, esta ausência de frio rigoroso tinha uma vantagem, flanar pela cidade, porém não tínhamos a oportunidade de ver a Cidade Luz toda branca de neve.

Estes dias na cidade de Paris, constatei, ela não é apenas uma cidade, é o mundo todo, uma torre de babel moderna, o metrô é a maneira mais fácil de conhecer este mundo, com ele – o metrô, somos transportados para todo canto da cidade e cada estação tem o seu momento na história.

Neste dia visitamos dois lugares em especial, com suas características próprias, um totalmente ao avesso do outro, um salto no tempo - detalhe esta linha que usamos, a linha 1, foi a  primeira linha inaugurada, porém as duas estações que conhecemos, uma em cada ponta da cidade, não existia na inauguração que foi no 19 de julho de 1900, construída para a exposição universal de tecnologia que acontecia na cidade de Paris.

A vida é feita de saltos, cada vez mais profundo e neste dia foi mais profundo ainda dos outros que demos até agora, como se estivéssemos em uma máquina do tempo, primeiro para o passado, um lugar que conserva uma Paris da idade média, para depois avançar para um mundo ultramoderno.

Munidos como sempre do “navigo” e do mapa do metro, fomos para a idade média, tendo uma parada obrigatória, a estação Nation onde sempre fazíamos as nossas transferências.

Descemos na estação Nation que já estava se transformando em um lugar comum para nós, nossa principal encruzilhada, e no pouco 
espaço de tempo que estávamos na cidade, ou embaixo dela, íamos ficando mais e mais familiarizados com seus moradores subterrâneos. Desta familiaridade me veio uma impressão forte, como se o tempo quisesse parar naquele instante, nos chamando a atenção para os sons que deixávamos escapar, percebia-se que estes sons vinham de nossos sapatos contra o chão subindo aos nossos ouvidos, outros sons vindos de outros passos se fundiam aos nossos em um ritmo típico dos parisienses, como resultado de passos e passos do dia-a-dia o piso ia sendo marcado por infinitas pisadas de inúmeros sapatos, notava-se uma sinfonia caótica que se juntava aos outros sons diferentes, canalizados por intermináveis túneis e conforme íamos andando para a linha que nos levaria ao nosso destino, escutávamos de longe um berro solitário, que vinha de uma feira de uma só pessoa, de um certo vendedor de frutas, sujeito simpático que nos dava um aceno todas as vezes que passávamos por ele, podia-se notar um jeito indiano nele, seu idioma parecia um misto de francês com um dialeto indiano desconhecido, resultando em um terceiro idioma que surgia de sua boca, as suas palavras eram quase intraduzíveis, mas o que ele queria dizer sim, que sempre tinha frutas diferentes na sua banquinha. Inesquecível também era um senhor que tinha aparência de um mestre chinês,  ele tocava um instrumento parecido com um violino comprido, talvez um parente oriental do nosso violino, magicamente ele vertia as notas em um som doce e melancólico que fazia as pessoas desacelerassem o ritmo dos passos, apurando a audição para depois desfrutar da encantadora melodia que vinha do exótico instrumento, sempre tinham pessoas que paravam e depositavam algumas moedas na capa, que além de guardar o instrumento, era um bom coletor de moedas. Fiquei impressionado com o talento do senhor que tocava o estranho instrumento.  

Atravessamos este oceano de pessoas e sons, nos dirigindo para o Château de Vincennes, que se localiza fora do perímetro dos vintes distritos de Paris, nós estávamos perto dele e poderíamos muito bem ir a pé, porém ir de metrô é sempre mais interessante, por tudo que acabei de escrever no paragrafo acima e muito mais.

O Château de Vincennes fica em um lugar muito agradável com ruas tranquilas, fica perto da estação de metrô do mesmo nome.

O "Château" é um castelo fortificado que a tempos atrás foi morada da corte real francesa, foi erguido entre o século XIV e o século XVII, antes de ser um castelo era um pavilhão de caça erguido por Louis VII no ano de 1150 na floresta de Vincennes. Luis IX e Filipe II edificaram ainda mais a mansão. Luis IX partiu do castelo para uma cruzada e não regressaria mais. Na idade média foi uma fortaleza militar. Filipe III (1274) e Filipe IV (1322) casaram-se ambos no castelo e três monarcas do século XIV nasceram no Château - Luis X (1316), Filipe V (1322) e Carlos IV (1328).
Também guardou provisoriamente as relíquias da Coroa de Espinhos enquanto a Saint-Chapelle de Paris era preparada para recebê-las. Uma nova capela foi edificada dentro da cerca do castelo para receber um fragmento da relíquia que ainda se encontra até hoje.

Hoje no Château de Vincennes fica dois ministérios, o da Cultura e o da Defesa, em 1988 teve um programa de renovação. 

Fiquei muito feliz em conhecer este pedaço da história que nos transportados a tempos quase esquecidos, pode ser sentindo as vibrações que ficaram registrados em suas paredes, elas tem ouvidos e depois contam aos seus visitantes que tem ouvidos para escutar os seu segredos. 

Ao lado do Château de Vincennes tem o bosque que é o Bois de Vincennes, que por conta do frio e do tempo, não foi possível visitar, mas fomos visitar o Parque Floral que fica encostado ao castelo, tinha que atravessar a rua, simples assim, caia naquele momento uma garôa que aos poucos se encorpava nos fez visitar o lindo parque um tanto com pressa, e o vento também castigava, imaginei que na primavera e verão deveria ser um lugar mais encantador ainda, com flores e pessoas passeando, fico me imaginando em uma bike, pedalando em suas alamedas. Lindo demais, ainda mais que quando avistamos alguns pavões.



 Próximo destino do dia - La Défense.

Entramos no metrô, ou na máquina do tempo que nos levaria do passado para um mundo moderno que tem como nome “La Défense”, ou A Defesa. As inúmeras estações que ficavam no caminho nos despertava para a história da França e da humanidade, tais como a queda da bastilha, que é estação “Bastille” com todo seu peso na revolução francesa, passando pela estação “Palais Royal-Musée du Louvre” ou “Rivoli-Louvre”que era uma antiga fortificação, depois virou um castelo para finalmente se tornar o famoso museu Louvre, um dos mais conhecidos e maiores museus do mundo, seguindo em frente, o metrô passa pela estação “Concorde”, onde muitos perderam a cabeça durante o terror, passando pela “Champs-Élysée”, onde é o ponto de encontro das pessoas para as comemorações nacionais, tais como o final da segunda grande guerra e a conquista da “Copa do Mundo de Futebol” em 1998 em cima da seleção brasileira, indo para o Arco do Triunfo, construído por Napoleão para findar na estação moderna de tempos modernos da França empresarial e financeira que é a “La Défense”, onde encontra o “Grande Arco”, um arco do triunfo moderno que é imenso que cabe a catedral de Notre-Dame dentro dela.

 
La Défense fugiu das características tradicionais da cidade, que tempos atrás foi motivo de muitos protestos, pois acreditavam que iria deixar a cidade feia, os parisienses sempre tem esta reação, rejeitam e depois aceitam, tiveram em sua história muitas rejeições para depois caírem na graça de seus moradores, um exemplo é a Torre Eiffel que até cogitaram em desmantela-la depois do término da exposição na qual ela foi apresentada. Acabei entendendo estas rejeições, uma cidade bela precisa de todo zelo e o medo de riscar esta beleza é o medo de riscar também a beleza que está na alma dos seus moradores.

O nome vem do monumento La Défense de Paris criado para homenagear os soldados que defenderam a cidade durante a guerra franco-prussiana em 1870. 

Umas das coisas que avistamos é um grande polegar - Le Pouce de 1965 do escultor francês e foi instalada em 1994.

Andar por esta região que também está fora do perímetro dos vintes distritos da cidade, é visitar monumentos modernos, e ainda visitar as boutiques les 4 Temps, uma espécie de Shopping Center, antes passar pela Decatlon francesa para comprar roupas de frio, e aproveitar o bom preço.

A noite estava chegando e o cansaço estava vindo também, os pés doíam de visitar tantas novidades que iluminam o coração na Luz de Paris.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Perdidos na noite


Já estavamos nos acostumando com os fins de tarde de inverno que avança rapidamente para noite, cinco da tarde nos parecia ser bem mais tarde. Queriamos descansar, então deixamos pra sair lá pelas oito horas da noite que estranhamente parecia ser bem mais tarde. Como de costume ao sair iamos munidos do “navigo” e o mapinha do metrô, então saimos para descobrir as luzes das grandes galerias.
Ao sair da estação  de metrô Chaussêe d’Antin Lafayette podia sentir o cheiro de castanhas assadas, muitas barraquinhas improvisadas na frente do magazine, barracas itinerantes, na sua maioria pertencendo a pessoas de origem indianas, eram fortes e inesquecíveis o cheiro das castanhas.


Na frente das vitrines muitas pessoas paradas para tirar fotografia dos enfeites de natal, o tema era Rock and Roll, todos com suas maquinas com cliques e clarões do flash, queríamos registrar também a nossa passagem pelas enfeitadas vitrines, as pessoas não davam trégua com suas câmeras, pacientemente esperamos o momento certo, muitas famílias paravam na frente e demoram para sair, as crianças ficavam encantadas com tantas luzes e vida, é a magia do natal se fazendo presente.


Depois de uma longa espera conseguimos tirar as fotos.

Resolvemos visitar a grande Magazine Lafayete por dentro, mas nos decepcionamos ao constatar que a loja estava fechada, chegamos muito tarde e nem passava pela cabeça perder a viagem e fomos andar aos arredores, indo ao l’Opera de Paris, lindo templo dedicado as artes, estava fechado, ou seja, para visitação.
Da decepção de não visitar a grande galeria Lafayete e o L’Opera, resolvemos andar mais. Decidimos ir até Montmartre, uma bela caminhada, para nós era excitante flanar por estas regiões da cidade, por ruas desconhecidas e um tanto desertas pelo frio que fazia naquele horário. 
Notamos que estávamos andando por intuição, por ruas em que não a seguíamos por inteiro, virando sempre e subindo, não tínhamos um mapa em mãos para nos guiar, queríamos realmente nos perder pelo caminho, sem tirar o objetivo de chegar à Montmartre.
Foi que notamos que realmente estávamos perdidos no caminho e que estava ficando tarde, pelo menos parecia ser bem tarde, mudando assim nosso objetivo que era de subir a colina, agora queríamos uma estação de metro e voltar para o hotel, descansar os pés depois de andar muito.
Quando estávamos para cruzar o Boulevard Roucherchouart que fica na base da colina de Montmartre, fiicamos apreesivos, o horário não estava ajudando, deixaríamos para um outro dia, pois ficaríamos em Paris por mais tempo, não faltaria oportunidade de ir para mais alto na caminhada.
A estação de metrô estava perto, podia-se ver as luzes de longe, andamos uma quadra e chegamos assim na estação Barbèr Rouchechouart, sentido Nation, para fazer a transferência para a estação Porte de Montrueil onde fica o hotel.
O dia seguinte seria cheio de descobertas na Cidade Luz de Paris.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Saint Germain-des- Prés e Saint-Michel


A neblina estava se dissipando lentamente, e nós juntamente com a neblina deixamos o lindo Jardim de Luxembourgo, o destino era o boulevard Saint-Germain-des-Prés, um famoso boulervard, que na grande reforma de Paris foi a parte mais importante no projeto feito pelo Barão Haussmann em 1850 e terminado em 1860. Antes da reforma, a região era formada por pequenas ruas, que deram lugar aos boulevares Saint-Germain-des-prés e Saint-Michel.




No caminho, rumo ao encontro do boulevard encontramos uma praça que tem uma fonte com a cabeça de leão, é a praça São Sulpício, “o Piedoso” que em francês é Saint-Sulpice e também tem uma igreja com o mesmo nome, esta igreja constitui-se na segunda igreja mais alta da cidade, e foi consagrada a São Sulpício, esta igreja quase foi destruida na revolução francesa. 
Antes de entrarmos na igreja, paramos para descansar em frente da fonte. A visita à igreja foi inevitável, uma igreja que por fora me parecia sombria e ao entrar sentiamos uma atmosfera pesada, principalmente pelo cheiro de vela que empregnava o ambiente, sentamos para meditar um pouco, mas energia do interior nos mostrou a saida, então com uma rapidez fora do comum ganhamos novamente a rua, mas precisamente a Rue Bonaparte. 

Olhar as vitrines nunca foi o meu forte, mas com as vitrines de Paris não tem como ficar alheio, elas nos convidam com tamanho encanto, além do mais, estávamos pesquisando alguma loja para se comprar uma boa roupa de frio, que parecia que não chegava, até que encontramos a igreja Saint-Germain-des-Prés,  perto da igreja, na esquina do Boulevard com a rue Benoit está o café “Les Deux Magot” e ao seu lado a rival o café “De Flore”, assim a sessão de fotos começou, tentamos registrar as imagens dos famosos cafés, que em um passado não muito distante recebia a elite da cultura mundial, a reputação é derivado do patrocínio de artistas surrealistas, intelectuais e jovens escritores, tais como Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, Ernest Hemingway, Albert Camus e Pablo Picasso.

Na frente da igreja Saint-Germain-des-Prés estavam as barraquinhas natalinas com comidas e bebidas típicas. Andamos pelo Boulevard Saint-Germain-des-Prés e o relógio interno nos avisava que era hora do almoço, pois era quase uma hora da tarde. A fome nos fez aguçar mais os sentido e avistamos um restaurante indiano, eles geralmente servem pratos vegetarianos, uma boa pedida para nós dois, na maioria dos restaurantes há pelo menos um prato adquado, a culinária indiana é famosa pelos seus pratos condimentados e na sua maioria picante. Fomos ver o cardápio do dia e o seus preços, eles eram excelentes, era lá mesmo que iriamos, este seria o primeiro restaurante que entraríamos.

A recepção foi agradavel, em um ambiente quente aconchegante, logo nos veio atender um senhor indiano, podiamos sentir no ar o cheiro das especiarias e do ghee (manteiga clarificada), que sempre dá um toque a comida indiana, o som era de bollywood, ritmo muito apreciado na Índia. Pedi a comida com um francês forçado, pausado, mas inteligível, eles também falavam ingles. Primeiro me fiz entender em francês e em segundo plano o inglês.
Na mesa tinha algumas tigelinhas de chutney, molho agre-doce picante, que acompanha os pratos ou no naam, pão indiano. A comida veio logo em seguida, uma delícia, nos fartamos de arroz com especiárias, com o cozido de legumes e o naam. Depois do almoço sempre vem a preguiça, mas o dia mal começava e colocamos os pés na estrada, ou seja, no boulevard.
Pertinho do restaurante indiano estava o boulevard Saint-Michel e logo avistamos o museu a abadia do antigo mosteiro de Cluny, hoje um museu.

Subimos o boulevard Saint-Michel e avistamos a sorbonne, que tanto inspirou os estudantes do mundo. Se tivessemos continuado a nossa subida no boulevard Saint-Michel estariamos novamente no Jardim de Luxembourgo, mas os pés começavam a doer, pegamos o metro e fomos descansar um pouco da Luz de Paris.







No jardim de Luxemburgo



Palais du Luxembourg
O meu corpo que estava alquebrado no dia anterior, no dia seguinte estava refeito, uma certa alquimia que existe nos ares de Paris, produzindo uma imensa vontade de explorar cada cantinho de uma cidade em luz. Tem sido uma constante nestes dias para nós, dormir cansado com o corpo doendo e ao acordar o corpo se tornando íntegro para novas descobertas.
O frio ainda não tinha batido nas portas da cidade, pelo jeito demoraria a “dar as caras”.
Da janela se via uma neblina intensa, e do lado de dentro, ficava uma dúvida: será que o frio vem? Ele ameaçava, mas não vinha, estávamos preparados para suportar o frio, ou pensávamos que sim.
Palais du Luxembourg - Hoje sede do Ss
nado francês.
A refeição matinal começava com o suco de laranja e uma baguete crocante, acompanhada de um deliciosa manteiga, em seguida o inesquecível queijinho - “la vache que rit” - a vaca que ri – e a nutella que recheava o croissant. Eu parava por aí, a Selma não, além das delicias a cima, ela atacava de café com leite e a compota de maçã para reforçar. Tudo isso porque a próxima refeição não tinha hora e o reforço era bem-vindo.
Detalhe do relógio do Palais du Luxembourg
A neblina densa não diminuiu, porém não estava frio, o vento algumas vezes vinha e castiga as regiões desprotegidas, tais como os olhos, o nariz e o rosto, e é muito importante para este clima é um creme hidratante e um protetor labial.
Saímos munidos do NAVIGO, do mapa e do espirito aventureiro, o dia era de visitar o Jardim de Luxemburgo, então pegamos o metrô e o trem que nos deixou bem na frente deste maravilhoso parque.
Tanque de água do Palais du Luxembourg
O jardim pertence ao Palácio de Luxemburgo, que atualmente é a sede do senado francês, o jardim é formal, povoados por estátuas e providos de grandes tanques de água onde crianças pilotam modelos de barcos, por conta da neblina que virou uma bruma, quase não tinha crianças e nenhum barco, algumas pessoas corajosas corriam de short e camiseta.
Deusa da caça - Diana.
Observei que em um canto do Jardim existe um pomar de macieira e pereiras e um teatro de marionetes.

Fonte no Palais du Luxembourg
Passeamos animados pelas alamedas arborizadas, com árvores desprovidas de folhas, raramente se encontrava uma árvore resistente ao frio que conservou as suas folhas. Cada canto do parque foi visitado pela alma e os olhos que não continha de alegria de estar em um lugar tão sublime.
As horas infelizmente passavam sem dar tregua aos momentos de felicidade e então seguimos em frente, explorando os arredores do jardim de Luxemburgo, seguindo sempre a Luz de Paris.

No coração da cidade





Nesse mesmo dia, 26 de dezembro, depois de uma parada necessária em frente ao Sena, continuamos a flanar no coração da cidade. Tenho que confessar - nesta região a minha alma se encheu de acolhimento - mais tarde descobri a razão de meu sentimento, a ilha tem o formato de um berço, que nos acolhe ao nascer, então pude nascer neste berço esplêndido às margens do rio Sena, feito a cidade que a 2.000 anos atrás nascera com outro nome, Lutécia dos Parisiis, mas com a mesma magia de sempre.





Na ilha as ruas são estreitas, e conforme íamos avançando, elas foram dando lugar a outras ruas mais largas e assim pudemos atravessar a Ponte Marie que nos transporta para fora da ilê de Saint Louis, atravessa-la é como se fizéssemos uma viagem no tempo, Paris é assim, somos viajantes na história da cidade e da humanidade, uma cidade que a cada esquina tem seu marco na história. Atravessamos do período medieval para a renascença, não muito longe avistamos o lindo Hotel de Ville, a câmara municipal, um edifício de arquitetura renascentista, porém foi algumas vezes reformada mantendo o seu estilo até hoje, a sua história começa no século XIV, um certo superintendente dos mercadores, chamado Étienne Marcel comprou a “Maison des Piliers”(Casa dos Pilares) em nome do município. Na frente do Hotel de Ville tem a Place de l’Hotel de Ville onde foi montada um ringue de patinação com crianças de todas as idades e também um carrossel para as crianças menores. A prefeitura em razão das festividades de fim de ano espalha muitos carrosséis, se tornando uma cidade mais festiva ainda, estava no ar da cidade o clima de festa, tanto para os visitantes quantos os moradores, podia se ver nos seus olhos o brilho, reflexo da luz da cidade.
O dia estava ótimo para flanar, então cruzamos a Rue Rivoli, deixando-a para trás, em outra ocasião ela será absorvida pelo coração, então seguimos pela Rue du Renard e viramos em outra rua que dava de frente a uma obra de arte que não esperávamos ver, ela arrombou a nossa retina com seu colorido e com as aguas da fonte fazendo uma coreografia em comum, estávamos na Place Igor Stravinsky, praça em homenagem ao compositor russo, as fontes foram organizadas em 1982 e recebeu dezesseis esculturas criadas por Jean Tinguely e Niki de Saint Phalle.
Continuando pela praça saímos na frente do Centre Pompidou, um dos principais centros culturais da cidade de Paris, com uma praça que é comum ver apresentações de grupos mambembes, um museu de arte moderna, que deixarei para narrar em outra ocasião e na frente uma biblioteca de cair o queixo que tivemos o privilégio de conhecer, de uma maneira bem parisiense, ou seja, bem casual, mas será narrado também em outra ocasião.
Então veio a fome, nossos relógios biológicos nos avisa que era hora de repor as energias, a cidade é repleta de cafés, bolangeries - padarias, bistrôs, restaurantes, mas resolvemos entrar no espírito da cidade, comprar algo no mercado e comer na praça, tenho que dizer que é uma delícia este hábito cultivado pelos seus moradores.
 
O dia era mesmo para flanar então continuamos perambulando pelas ruas.













Pegamos a Rue Rombuteau e seguimos para uma nova surpresa para o coração, vimos de um lado a igreja Saint Eustache e do outro o Les Halles. Paramos primeiro na frente da igreja Saint Eustache, ela é considerada uma obra-prima da arquitetura gótica tardia, tem uma escultura que é uma cabeça e uma mão, a escultura se chama “A escuta” por Henry Miller, depois de um tempo de contemplação atravessamos a rua e fomos para o Forum les Halles. No passado era um mercado municipal que foi demolido em 1971, atualmente é uma grande área comercial com lojas no subterrâneo em estilo moderno, e o que mais me chamou a atenção foi um jardim submerso com esculturas, mosaicos e fontes. Abaixo do Forum des Halles encontra-se a maior estação de metrô do mundo, a estação Chatelet-Les Halles que liga também com a rede de trem do sistema RER (rede expressa regional).

Flanar e flanar, de tanto flanar os pés pareciam inflamados, mas o coração estava no comando, então seguimos pela Rue Rivoli, passando pelas lojas até o Louvre, atravessemos a entrada do museu e seguimos em frente, entrando no Jardin des Tuileries (Os jardins das Tulherias), um parque situado na margem direita do rio Sena, entre a praça da concórdia e o Carroussel. Este pelo jardim foi criado no século XVI por ordem da Catarina de Médicis para decorar o seu palácio, onde ela passava o seu tempo livre. Do parque pode se ter uma esplêndida visão dos Champs-Élysées, do Arco do Triunfo e do Grande Arco de La Défense.




Não queríamos terminar a nossa caminhada sem antes atravessar para o outro lado do Sena, a margem esquerda, então escolhemos a ponte Alexandre III, uma ponte no estilo art-nouveau, decorada por querubins, ninfas e cavalos alados na extremidade. A sua construção começou em 1896 e sua inauguração foi em 1900 para exposição universal.

Ponte Alexandre III
Estava anoitecendo e tínhamos que deixar o coração da cidade, o Sol ia se pondo, já era hora de ir embora sob as primeiras luzes de Paris.










segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O dia seguinte

Estação de Metro "Cite"
O dia anterior foi intenso, tanto pelo voo, como trajeto feito de trem e metro com as malas. O descanso foi pouco, porém a noite veio e fomos passear pela Avenida Champs-Élysées.
 A nossa ansiedade estava acumulada e fervilhando para visitar a cidade, e para finalizar a noite foi mal dormida, por conta do fuso horário.
Acordar seminovo é melhor que acordar um caco, nem tomamos o café da manhã, pois dormimos o suficiente, além do horário da primeira refeição.
"Estação Cite"
Saltamos da cama e fomos em direção ao metrô que fica bem pertinho. Antes de prosseguir a narrativa gostaria de dizer- o tipo de bilhete que vai comprar é importante, para não sair caro, tem bilhetes para uma viagem até para um mês, dependendo da permanência. Compramos o NAVIGO, um cartão que você coloca a sua foto e vai carregando depois, nós carregamos para uma semana, com o preço reduzido e podendo no mesmo dia pegar tantos metrôs, trens, ônibus forem necessário e quantas vezes quiser.


Continuando...


Tenho que confessar - pegar o metrô na cidade de Paris é muito divertido, além de encontrar pessoas de várias nacionalidades dividirem o mesmo trem, também é divertido ficar olhando as estações, cada uma com a sua particularidade, com a sua história e na sua maioria, elas formam um labirinto, com uma surpresa a cada corredor, podendo encontrar músicos, barraquinhas de frutas e outros serviços, até mesmo pessoas pedindo dinheiro.


Rio Sena
Uma outra aventura começa quando queremos ir para algum canto da cidade, eu disse algum canto, pois o metrô nos leva a todo canto da cidade. O correto para se andar no metrô, é primeiro estar munido de um mapa das estações do metrô e trem, pois a rede é uma teia, ver que estação vai descer, que transferência será necessária e que sentido o trem vai, parece ser complicado, mas não é, depois de algumas viagens ficamos “expert” no assunto.


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Notre-Dame
Neste dia não foi difícil chegar na Île de la Cité, apenas na hora de fazer a transferência para a outra linha, a sinalização estava confusa, mas alguns franceses que estavam por perto puderam ver a nossa dificuldade, e gentilmente nos informaram o caminho certo para ir para a linha correta.
O dia seguinte amanheceu mais quente e iluminado por um sol que não imaginávamos que poderia aparecer neste inverno europeu.

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Boulangerie - Padaria 
O sol trouxe mais disposição para uma caminhada até a Île de la Cité, uma ilha no coração da cidade, onde tudo começa em Paris, antiga morada dos parisis, uma tribo gaulesa e depois os romanos invadiram.
O ponto alto é a Catedral de Notre-Dame, que inspirou o romance de Victor Hugo conhecido no Brasil como “O Corcunda de Notre-Dame”.
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Doceria
Andando para o outro lado da ilha, tem outra ilha, que é a île Saint-Louis, uma ilha que tem o seu ponto alto nas ruas que conserva ainda os tempos medievais, com suas lindas lojas, boulangeries e bistrôs.






Loja de presentes

Gostoso é fazer uma parada e ficar olhando as águas do Sena, vendo as suas embarcações deslizando sob o Sol da Luz de Paris.





Rio Sena